# O que exigimos: seis medidas para a habitação em Portugal

> Habitação pública, rendas que caibam no salário, contratos longos, nenhum despejo sem alternativa e direitos coletivos para quem arrenda. O programa completo.

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Última atualização: 2026-10-26  
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O programa

# O que exigimos

Seis exigências concretas para que a habitação volte a ser um direito e deixe de ser um negócio. Não dependem de quem governa: dependem da força que conseguirmos juntar.

01

## Casas para viver, não para especular

Uma casa é onde se faz a vida, não uma linha num portefólio de investimento. Quando a habitação passa a ser um produto financeiro, os preços acompanham o que os investidores podem pagar, e não o que as pessoas ganham.

Medidas

- Restringir a compra de casas por fundos e empresas que não as usam para viver.
- Limitar o alojamento local nas zonas de maior pressão, a começar por Lisboa, Porto e Algarve.
- Impostos progressivos sobre as casas que os grandes proprietários mantêm vazias, com a receita a reverter para a habitação pública.

02

## Um grande parque público de habitação

Os países que mantiveram a habitação a preços acessíveis fizeram-no com um grande parque público e cooperativo. Em Portugal, a construção pública passou de cerca de 4500 fogos por ano nos anos 70 e início dos anos 80 para menos de 300 no início da década de 2010.

Medidas

- Um programa público de construção e reabilitação a longo prazo, com financiamento estável e plurianual.
- Pôr os edifícios públicos devolutos ao serviço da habitação, em vez de os vender a investidores privados.
- Apoio às cooperativas de habitação e a rendas acessíveis permanentes, que nunca voltam ao mercado.

03

## Segurança: nenhum despejo sem alternativa

Com contratos curtos e despejos rápidos, quem arrenda vive com medo: se reclamar, arrisca-se a não ver o contrato renovado. Sem segurança, os outros direitos ficam no papel.

Medidas

- Contratos de arrendamento com duração mínima de 10 anos, como reivindicam os movimentos pela habitação.
- Nenhum despejo de famílias vulneráveis sem realojamento digno garantido.
- Reverter as medidas que aceleram os despejos em vez de protegerem quem lá vive.

04

## Rendas que caibam no salário

Em Lisboa, arrendar um T2 custa mais do que um salário mínimo inteiro. Sem limites, cada contrato novo puxa o preço para cima, e quem põe a cidade a funcionar acaba empurrado para fora dela.

Medidas

- Rendas de referência por zona, ligadas aos rendimentos locais, com um teto obrigatório nos novos contratos.
- Limitar as atualizações anuais das rendas a valores bem abaixo da subida dos salários.
- Proteger quem tem crédito à habitação de subidas bruscas da prestação.

05

## Direitos coletivos para quem arrenda

Sozinho, um inquilino tem pouca força perante o senhorio. Juntos, como prédio, bairro ou cidade, os inquilinos podem negociar de igual para igual, tal como os trabalhadores fazem na contratação coletiva.

Medidas

- Reconhecimento na lei da negociação coletiva entre associações de inquilinos e grandes senhorios.
- Proteção contra represálias para quem se organiza ou apresenta queixa.
- Apoio jurídico gratuito para inquilinos ameaçados de despejo ou vítimas de abusos.

06

## Salários, pensões e serviços públicos dignos

Entre 2015 e 2025, o preço das casas subiu 180% e o salário mínimo subiu 72%. A crise está nessa diferença entre o que ganhamos e o que custa uma casa.

Medidas

- Aumentos de salários e pensões acima da inflação e ligados ao custo de vida real, incluindo a habitação.
- Serviços públicos de qualidade em todos os bairros, e não só onde o terreno é barato.
- Transportes públicos baratos e fiáveis, para que morar mais longe não seja um castigo.

Iniciativa Legislativa de Cidadãos

## A lei também é tua

Com 20 mil assinaturas, qualquer grupo de cidadãos pode levar uma proposta de lei ao Parlamento. A Acampada pela Habitação está a preparar uma e quer ouvir-te: qual é o maior problema da habitação e o que mudavas na lei?

1

### Dá a tua opinião

Responde ao inquérito e aparece nas sessões abertas pelo país. Uma comissão de 5 a 10 pessoas redige a proposta a partir do que ouvir.

2

### Assina

20 mil eleitores assinam a proposta.

3

### Ao Parlamento

A proposta é entregue na Assembleia da República para ser discutida e votada. Até hoje, foram admitidas 14 iniciativas de cidadãos, e 8 foram aprovadas.

[Responder ao inquérito](https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/Gwwywk32Z8XpK6HOOoFDRhpwvEnqHV9m6V-AJxhc9qE/) · [Site da ILC](https://ilc-habitacao.sites.deploybase.eu/)

O inquérito é cifrado de ponta a ponta e pode ser respondido de forma anónima. Contacto: [ilc-habitacao@proton.me](mailto:ilc-habitacao@proton.me)

### O que exigem as acampadas

- Abaixo a lei das rendas de 2012
- Fim dos despejos
- Proibir a compra de casas por fundos abutre
- Mais habitação pública
- Recuperar os prédios devolutos para habitação
- Tetos às rendas

## A habitação é um direito. 
Vamos conquistá-lo.

Junta-te a quem já se está a organizar em prédios, bairros e locais de trabalho por todo o país.

[Participa](https://habitacao.bytetoit.com/participa/) · [Contacta-nos](mailto:contacto@habitacao.bytetoit.com)
